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HISTÓRIA DA CIDADE


HISTÓRICO
A presença de colonizadores na região, primitivamente habitada pelos índios Tapuios, no século XVIII, representou o início de uma atividade pastoril. Mas esse esforço colonizador desenvolvido nas ribeiras do rio Potengi e do rio Trairi, não conseguiu agrupar em núcleo populacional. Somente em 1831, José Rodrigues da Silva, proprietário da Fazenda Cachoeira, na localidade Cachoeira, aliou-se aos irmãos, João da Rocha e Lourenço da Rocha, novos donos de terras na localidade situada às margens do rio Trairi e deram início à fundação da povoação de Santa Rita da Cachoeira. A escolha do novo local para a implantação do povoado foi feita porque na localidade de Cachoeira não havia água suficiente para suprir as necessidades de uma população. Logo muitas casas surgiram, de forma alinhada, em torno da capela construída em homenagem a Santa Rita de Cássia, da qual José Rodrigues era devoto.

O povoado foi mudando de nome com o passar dos anos. Depois de Santa Rita da Cachoeira, mudou para Santa Cruz do Inharé, depois para Santa Cruz da Ribeira do Trairi e por último, para Santa Cruz.

Há uma lenda que justifica a origem da vinculação Cruz aos nomes dados ao lugar, contada em diversas versões pelos habitantes do município: um missionário, ouvindo falar que os habitantes das Ribeiras do rio Trairi sofriam as inclemências das secas, bem como ataques de animais ferozes e que entre eles havia lutas e rivalidades, resolveu visitar o povoado. Chegando lá, mandou fazer uma grande cruz com os ramos de uma árvore chamada inharé. Em frente a capela, um enorme buraco foi aberto e o missionário ordenou que nele todos jogassem suas armas, cobrissem o buraco com terra e ali fincassem a cruz. Então, disse o missionário: “Virá um padre, muito estimado, que mandará retirar esta cruz para um morro; não consintam, pois esta é a Santa Cruz do Inharé”. Contam ainda que a árvore inharé era sagrada e que atraía toda sorte de males quando seus ramos eram quebrados. Depois que o missionário ergueu a cruz de Inharé, os malefícios cessaram, as fontes jorraram água e os animais tornaram-se mansos.

No ano de 1835, com o nome de Santa Cruz da Ribeira do Trairi, tornou-se distrito pela Lei número 24, de 27 de março de 1835. A luta para transformar o distrito em município contou com a participação fundamental do padre Antônio Rafael Gomes de Melo, do Tenente Coronel Ivo Abdias Furtado de Mendonça e Menezes e dos fazendeiros Trajano José de Faria e Félix Antônio de Medeiros.

Desmembrado do município de São José de Mipibu, no dia 11 de dezembro de 1876, o distrito de Santa Cruz da Ribeira do Trairi, tornou-se município do Rio Grande do Norte, com o nome de Santa Cruz.


1. IDENTIFICAÇÃO

Nome do Município: Santa Cruz

Lei de Criação: n° 777                     Data: 11/12/1876

Desmembrado de: São José de Mipibu

Microrregião do IBGE: Borborema Potiguar

Zona Homogênea do Planejamento: Agreste

Índice de Desenvolvimento Humano: 0,655

Esperança de Vida ao Nascer: 67,145

2. CARACTERIZAÇÃO FÍSICA

2.1 – Localização, Área, Altitude da Sede, Distância em Relação à Capital e
         Limites

Coordenadas Geográficas: latitude:      6° 13’ 46” Sul
longitude: 36° 01’ 22” Oeste

Área 624,39 km², equivalente a 1,12% da superfície estadual.

Altitude da Sede: 236 metros

Distância em Relação à Capital: 111 km

Limites:  Norte – Sítio Novo, Lajes Pintadas e São Tomé
Sul – São Bento do Trairi e Japi
Leste – Tangará e Sítio Novo
Oeste – Campo Redondo, Lajes Pintadas, Coronel Ezequiel e São Bento do Trairí

2.2 – Clima

Tipo: clima muito quente e semi-árido, com estação chuvosa atrasando-se para o outono.

Precipitação Pluviométrica Anual:    normal: -
                                                           observada: -
                                                                       desvio: -

Período Chuvoso: março a abril

Temperaturas Médias Anuais:   máxima: 32,0 °C
                                                   média: 25,7 °C
                                                   mínima: 18,0 °C

Umidade Relativa Média Anual: 72%

Horas de Insolação: 2.400


2.3 – Formação Vegetal

Caatinga Hipoxerófila - vegetação de clima semi-árido, apresenta arbustos e árvores com espinhos e de aspecto menos agressivo do que a Caatinga Hiperxerófila. Entre outras espécies destacam-se a catingueira, angico, juazeiro, braúna, marmeleiro, mandacaru, umbuzeiro e aroeira.

2.4 – Solos

Planossolo Solódico - fertilidade natural alta, textura arenosa e argilosa, relevo suave ondulado, imperfeitamente drenado, raso.

Bruno Não Cálcico Vértico - fertilidade natural alta, textura arenosa/argilosa e média argilosa, relevo ondulado, moderadamente drenados, rasos susceptíveis a erosão.

Uso: a quase totalidade da área destes solos encontra-se coberta pela vegetação natural, aproveitada, precariamente, com pecuária extensiva. Pequenas parcelas são cultivadas com algodão, milho, feijão, sisal e palma forrageira. Apresentam fortes limitações ao uso agrícola pela falta de água e o aproveitamento racional das mesmas com pecuária requerem melhoramento das pastagens e intensificação da palma forrageira, recomendando-se, ainda, intenso controle da erosão.

Aptidão Agrícola: regular para pastagens plantada, aptas para culturas de ciclo longo, tais como algodão arbóreo, sisal, (caju e coco), e terras indicadas para preservação da flora e da fauna numa pequena área ao Norte.

Sistema de Manejo: médio nível tecnológico. As práticas agrícolas dependem do trabalho braçal e a tração animal com implementos agrícolas simples.

2.5 – Relevo

De 200 a 400 metros de altitude.

Serras:da Tapuia, Cunhaú, Samanaú, dos Veados e da Jandaíra.

Depressão sub-litorânea - terrenos rebaixados, localizados entre duas formas de relevo de maior altitude. Ocorre entre os Tabuleiros Costeiros e o Planalto da Borborema.

2.6 – Aspectos Geológicos e Geomorfológicos

Geologicamente o município é caracterizado por rochas pertencentes ao Embasamento Cristalino, onde predominam migmatitos, gnaisses, anfibotetos, granitos, xistos de Idade Pré-Cambriano Médio a Inferior (1.100 - 2.500 milhões de anos), cortados localmente por veios de quartzo e Diques de Pegmatitos (500 milhões de anos). Geomorfologicamente predominam formas tabulares de relevos, de topo plano, com diferentes ordens de grandeza e de aprofundamento de drenagem, separados geralmente por vales de fundo plano.

Ocorrências Minerais

Berílio - duas coisas que tornam o metal berílio único são as suas características nucleares e a sua elevada rigidez. Na sua forma pura, este mineral é um silicato de berílio-alumínio, que aparece nas formas de água-marinha e de esmeralda. O berílio é geralmente obtido como sub-produto da extração de feldspato, lítio ou mica. A transparência do berílio aos raios X torna-o num material útil para janelas de detetores de radiação.

Gemas

Água marinha - é considerada a gema mais abundante e valiosa do Rio Grande do Norte, tanto pela quantidade produzida como pelo valor da produção. Geralmente, a água marinha é encontrada em bolsões de dimensões variáveis e formas irregulares, dispostos aleatoriamente no interior dos pegmatitos, intimamente associada ao berilo industrial. A cor mais frequente da água marinha do Estado é azul claro, sendo o azul médio mais valioso e menos comum. A água marinha pode ser límpida ou apresentar inclusões sólidas e líquidas diversas, sendo também quebradiça e sensível a pessão. O tratamento térmico à temperatura de 400°C torna a cor azul mais escura e homogênea, aumentando o valor.
                         
Recursos Minerais Associados

Complexo Gnáissico-Migmatítico - rocha ornamental especialmente migmatitos utilizado em piso e revestimento; brita e rocha dimensionada utilizada para construção civil.

2.7 – Recursos Hídricos

Hidrogeologia

Aqüífero Cristalino - engloba todas as rochas cristalinas, onde o armazenamento de águas subterrâneas somente se torna possível quando a geologia local apresentar fraturas associadas a uma cobertura de solos residuais significativa. Os poços perfurados apresentam uma vazão média baixa de 1 – 2 m³/h e uma profundidade média em torno de 50 m, com água comumente apresentando alto teor salino de 480 a 1.400 mg/l com restrições para consumo humano e uso agrícola. (C5S3 a C5S4)

Aqüífero Aluvião - apresenta-se disperso, sendo constituído pelos sedimentos depositados nos leitos e terraços dos rios e riachos de maior porte. Estes depósitos caracterizam-se pela alta permeabilidade, boas condições de realimentação e os poços perfurados apresentam uma vazão média baixa de 3 - 6 m³/h e uma profundidade média em torno de 6 m. A qualidade da água geralmente é boa e pouco explorada.

Obs: tomando em conta que um grande número de poços não tem informado o aqüífero captado, decidiu-se adotar uma postura linear de repartir as disponibilidades proporcionalmente às áreas dos aqüíferos, nos municípios e nas bacias, realizando, em cada caso, os ajustes e correções que fossem necessários.

Hidrologia:

O município encontra-se com 3,01% do seu território inserido na Bacia Hidrográfica do rio Potengi e 96,99% na Bacia Hidrográfica do Rio Trairi.

Rios Principais:  Inharé,  Trairi,  Cacaruaba

Riachos: Bento Nunes, da Vela, Santa Rosa, do Canivete, Catolé, do Exú, Velho, da Chapada, Logradouro, da Cobra, Salgado, da Gameleira.

Lagoa: Logradouro






Açudes com Capacidade de Acumulação Superior a 100.000 m³:

Públicos
Comunitários
Rio/Riacho Barrado

Capacidade (m³)

Bom Sucesso
-
Riacho Cachoeira
100 000
Inharé ou Alívio
-
Rio Inharé
17 600 000
Recanto
-
Riacho dos Veados
297 800
Santa Rita
-
Riacho da Aroeira
776 000

O município não dispõe de mananciais com qualidade e quantidade que permitam a implantação de obras de abastecimento. Portanto, faz-se necessário o beneficiamento de oferta de água através do Sistema Adutor Agreste/Trairi/Potengi, que tem como objetivo o abastecimento humano e dessedentação animal.  Também conhecido como Adutora Monsenhor Expedito, o sistema possui uma extensão total de 316 Km, a captação d`água é feita no Sistema Lacustre Bonfim, localizado no município de Nísia Floresta e possibilita uma vazão total de 452,32 l/s ou 1.628,35 m³/h.

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