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domingo, 1 de outubro de 2017

Entenda como ocorreram os massacres em Cunhaú e Uruaçu

No próximo dia 15 de outubro, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa Francisco, irá canonizar os padres André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, além dos leigos Mateus Moreira e outros 27 companheiros. Serão os primeiros santos mártires do Brasil.

A celebração é aguardada com grande entusiasmo pela comunidade católica, especialmente para os potiguares, já que foi na então capitania do Rio Grande onde ocorreram os massacres de Cunhaú e Uruaçu.

Para o padre Júlio César, da Arquidiocese de Natal, a canonização dos mártires é de grande importância para a redescoberta dos valores cristãos. Isso porque todas as vítimas morreram por não renunciar à fé católica. 

“A importância deles que a dimensão de redescobrir os valores de nossa fé. Porque nós vivemos num mundo onde tudo é relativo, onde tudo as pessoas querem resolver à sua maneira, onde tudo pode provocar uma discórdia e nós encontramos nesse grupo de 30 mártires que vão ser canonizados todas as categorias que de fiéis que a Igreja tem”, disse.

PADRE-H

Na época dos massacres ocorria uma disputa comercial e religiosa entre Portugal (católicos) e Holanda (protestantes). 

“Nós temos que lembrar que desde 1633 a capitania de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande, Sergipe, Ceará e Maranhão estavam dominadas pelos holandeses. Eles chegaram aqui com um objetivo muito próprio, que era o objetivo econômico. Portugal devia à Holanda e ao mesmo tempo a produção do engenho Cunhaú, em Canguaretama, do açúcar que era quase que 70% produzido aqui e ia para Portugal. Então eles tinham que fechar essa porta para Portugal não ter recursos e assim eles dominarem. É dentro desse contexto histórico que surge uma outra situação. A situação religiosa”, explica.

“Os dois massacres são muito ligados à Eucaristia. O primeiro foi em Cunhaú, no dia 16 de julho de 1645, onde está situada a Capela de Nossa Senhora das Candeias. Era um domingo e naquele tempo as missas eram só pelas manhãs. As pessoas foram para a missa e havia um edital do Jacob Rabbi [que chefiava as tropas holandesas na região] dizendo que tinha uma notícia importante do governo holandês para dar ao povo. Quando eles chegam, participam da missa até à elevação, na hora que o padre está apresentando a hóstia consagrada, os índios comandados por Jacob Rabbi, com os oficiais holandeses, fecham todas as portas da capela e começam a matar um a um. O padre que presidia a celebração, André de Soveral, foi quem mais foi martirizado”, detalhou Júlio César.

Apesar das dificuldades de comunicação da época, a notícia chegou a Natal. Só existiam duas paróquias no Rio Grande: Cunhaú e Natal, que tinha como pároco o padre Ambrósio Francisco Ferro.

“O padre tinha amizade com os holandes e pediu asilo no Forte dos Reis Magos e com ele foi um grupo de fiéis para lá. Eles construíram uma cerca de pau a pique pensando que estavam protegidos. No dia 1 de outubro, ele recebe a visita de Jacob Rabbi. No dia 3, Jacob faz um convite a eles para um lugar mais seguro, onde pudessem estar mais protegidos. Eles confiaram. Foram colocados dentro de barcos e trazidos dentro do rio Jundiaí até às margens do rio Uruaçu. Ao chegar ali, Jacob mandou todos descerem do barco e perceberam que era uma emboscada”, conta Júlio César.

Durante o segundo massacre, uma nova prova de fé católica, mesmo com o custo da própria vida. “Jacob Rabbi mandou todos se despirem e ficar de joelhos. Ele disse: se você renunciar a fé católica, você salva vida. Aqueles que não renunciaram, morreram”. Nesse mesmo massacre, o jovem Mateus Moreira teve o coração arrancado pelas costas.

Veja quem foram os mártires de Cunhaú e Uruaçu:

Santo André de Soveral
Nasceu em São Vicente, litoral paulista, em 1572. Como missionário Jesuíta, catequizou os índios no Nordeste do Brasil. Depois, já no Clero Diocesano, foi pároco do Cunhaú, onde foi martirizado no dia 16 de julho de 1645, durante a celebração da Santa Missa. Com ele morreram 69 fiéis, entre os quais São Domingos de Carvalho.

Santo Ambrósio Francisco Ferro
Português dos Açores, foi pároco de Natal, a partir de 1636, atuando na Paróquia de Nossa Senhora da Apresentação. Refugiou-se na Fortaleza dos Reis Magos e de lá foi levado para o martírio em Uruaçu no dia 3 de outubro de 1645, juntamente com 80 fiéis de sua paróquia.

São Mateus Moreira, leigo
Entre os leigos que foram martirizados, havia um casal, oito jovens, quatro crianças e 13 adultos. Segundo a Igreja, o testemunho mais belo é o de Mateus Moreira, que, ao lhe ser arrancado o coração pelas costas, suas últimas palavras foram: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”.

27 companheiros leigos
São Domingos de Carvalho;
Santo Antônio Vilela Cid;
Santo Antônio Vilela, o Moço e sua filha;
Santo Estêvão Machado de Miranda e suas duas filhas;
São Manoel Rodrigues Moura e sua esposa;
São João Lostau Navarro;
São José do Porto;
São Francisco de Bastos;
São Diogo Pereira;
São Vicente de Souza Pereira;
São Francisco Mendes Pereira;
São João da Silveira;
São Simão Correia;
Santo Antônio Baracho;
São João Martins e seus sete companheiros;
Santa Filha de Francisco Dias.
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